Não esqueça: produzir também é empreender!

Não esqueça: produzir também é empreender!

Poderia começar falando sobre a importância em gerar novos empreendedores, em apoiar os que estão na batalha diária para construir seus negócios ou até sobre as pesadas mãos dos governos sobre o custo dos que ousam empreender. Poderia, mas existe algo antes disso. Como e em que investir o tempo e o talento?

A Era Empreendedora que vivemos há, vá lá que seja, uma década em meia,gerou inúmeras funções: palestrantes, especialistas, escolas de negócios, berços de start ups e por aí vai.

Vários caminhos paralelos foram traçados: a total digitalização dos negócios, a busca pela exponencialidade, a inovação, a necessidade, as ferramentas para estudar os negócios e muito mais. Tudo para identificar, motivar e apoiar novos empreendedores. Tudo isso é incrível e tem o valor absurdo na história econômica mundial. Obviamente existem contrapontos, como a da geração que não quer ter, mas usar. Quase um inimigo de conceitos básicos que geraram controles, fluxos de caixa e DRE. As empresas precisam ter lastro, mas um grande número de pessoas não pretende acumular e há algo muito nobre nisso. Meu total respeito, mas… talvez não sustente os negócios e acabe comprovando, ainda mais, aqueles conceitos do SEBRAE que alardeavam há duas décadas aquela história de empresas que duram 1 ano, 2 anos, 5 anos.

Neste universo de coisas envolvendo o empreendedorismo, existe algo que insiste em martelar algumas das lógicas que vivo: por que os exemplos, as orientações, os caminhos e os cases empreendedores são muito maiores para o comércio e os serviços do que para o setor produtivo?

Sou empreendedor há mais do que 17 anos, tempo do meu principal negócio atual, mas comecei antes, num estúdio simples sendo uma empresa de um homem só. Sou empreendedor da área de serviços e convivo esse tempo todo com um sentimento de empresário incompleto. O motivo? Simples. Gostaria de produzir algo concreto, de tangibilizar meu esforço em algum produto. Serviços têm essa “desvalorização”.

Hoje em dia, o que vejo, é uma série de pequenos projetos, microempresas, legalizadas ou não, espalhadas pelo comércio. Brigadeiros, doces, bistrôs, lojas de roupas, cafés, enfim, um universo de possibilidades. Obviamente a mecânica para defender essa profusão de empreendedores do comércio é: se tem pra vender, alguém produz. Lógico, né? Nem tanto. O raciocínio de reforço produtivo precisa ser retomado. A análise é simples: os países economicamente mais fortes têm viés industrial e/ou tecnológico. E, antes de contrapor, por favor, avalie pensando na maioria, não nas exceções.

Analisar, inventar, pesquisar, estudar o negócio e viabilizar. Depois e só depois vai ao comércio, mesmo que paralelamente às etapas, a comercialização seja estudada e contabilizada par e passo.

Viabilizar o setor produtivo em detrimento ao financeiro (leia-se bancário) talvez seja o primeiro passo de qualquer município, estado ou país. Pesquisar, desenvolver e criar uma rede produtiva focada em determinados produtos precisa de mais atenção por parte dos “estudiosos” e muito mais apoio social, educativo e financeiro. Pequenos comerciantes, sim, claro e sempre. Pequenos produtores, sim, óbvio, para ontem e para sempre. Produzir é empreender e vem antes de comercializar. Se business plan aceita tudo, que possamos tangibilizar mais o nosso futuro.

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Por: Fernando Silveira – Presidente do SINAPRO/RS